Raymundo Colares
Início:
18 ago 2010
Término:
19 dez 2010
Sala:
Paulo Figueiredo
Descrição
A partir do dia 18 de setembro, Raymundo Colares ganha retrospectiva no MAM-SP com curadoria de Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-RJ. A mostra Raymundo Colares ocupa a Sala Paulo Figueiredo com obras emblemáticas da carreira do artista, tais como os Gibis, que terão duas réplicas para serem manuseadas pelo público, e as carrocerias de ônibus pintadas em alumínio. Compõem a mostra 56 obras, entre 26 pinturas, 15 fotocópias/desenhos, um vídeo sobre o artista e 14 gibis, além das duas réplicas. O patrocínio da exposição é dos mantenedores do MAM-SP: Banco Bradesco, Gerdau, Banco Itaú, Santander e Fundação Telefônica. Nascido em Grão Mogol (MG) em 1944, foi na cidade do Rio de Janeiro que Raymundo Colares realizou sua formação artística e despontou como o principal articulador do neoconcretismo com a pop art em uma carreira tão promissora quanto curta, devido à sua morte precoce em 1986. Cursou a Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1966, quando tornou-se amigo dos artistas Antonio Manuel e Helio Oiticica, com quem compartilhou a busca por uma nova estética que traduzisse as mudanças radicais pelas quais o mundo e o Brasil estavam passando, fosse a corrida espacial entre EUA e URSS ou o regime militar aqui instaurado entre 1964 e 1985. A combinação do ideário da cultura de massa com o rigor geométrico se dá de maneira orgânica na obra de Colares. Mesmo em seus trabalhos puramente abstratos, a imagem impressa é urgente e icônica, extrapolando o neoconcretismo para buscar a captação do movimento e da velocidade que os meios de transporte e comunicação já vinham então imprimindo ao cotidiano. Essa urgência fica evidente nas pinturas de carrocerias de ônibus, fragmentadas como na visão de espelhos retrovisores e das janelas de carros. Não à toa, os nomes desses trabalhos aludem diretamente a ultrapassagens e ângulos distintos de uma mesma figura. Para criar sua geometria particular, Colares inspirou-se em nomes como Mondrian e Volpi, buscando uma nova leitura dos seus universos. Na transposição desses ideários para cadernos manuseáveis, cujo cuidado de composição vai da escolha de papéis de texturas distintas ao caleidoscópio de formas que se modificam com o virar das páginas, o artista escolheu o significativo nome de Gibi para batizá-los, consolidando a utopia de um cotidiano no qual a arte se insere de maneira tão intrínseca que as HQs tornam-se, finalmente, revistas-obras cujo enredo e desfecho o próprio público escolhe. Mais uma vez, o movimento está no cerne de seu trabalho. Também na exposição, a série de fotocópias com intervenções de punho do próprio artista mostram a faceta mais direta de sua verve pop, com alusões a Marcel Duchamp, precursor em tomar anúncios e imagens consagradas como base para um significado distinto. Unindo-se a nomes seminais de sua época, Raymundo Colares é peça fundamental para se completar o quebra-cabeça da arte brasileira dos anos 1960-70.
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